
Um dos maiores clássicos do Rush dos anos 80 volta às vitrines com novidades
Grace Under Pressure… Bingo!
Em novembro do ano passado, postamos em nosso perfil oficial curiosidades a respeito de Grace Under Pressure. Menos de dois meses depois, a banda anuncia o relançamento desse clássico que é tido por muitos como o melhor álbum da “fase tecladística” do Rush. Tenso, gélido, resiliente… espetacular.
Geralmente, nesta seção aqui do Portal, mergulhamos na história, resgatamos curiosidades, descobrimos bastidores, e avaliamos oo contexto técnico da criação do álbum. No entanto, o anúncio monumental da edição de 40 anos exigiu uma abordagem diferente.
A Luva Cibernética da Capa
A capa original de Grace Under Pressure sempre foi considerada pelos fãs como uma das mais enigmáticas da carreira da banda. Agora o mestre Hugh Syme, designer de longa data da banda, decidiu revisitar e expandir o conceito. É bem verdade que nos comentários que vimos em nosso post, vimos fãs com opiniões divergentes: alguns acharam maravilhosa, outros perceberam como “com aquela cara de I.A”, pois bem, fato é que a luva cibernética nos dá a sensação de ser da faixa “Kid Gloves”.
Essa estética do medo e da despersonalização amarra todo o álbum. A imagem da capa conversa diretamente com a urgência de “Distant Early Warning” e o desespero codificado de “The Body Electric”, com seu S.O.S. em binário (“1-0-0-1-0-0-1”). É a representação visual de um mundo sob a ameaça do botão vermelho (Peart atualíssimo como sempre).
O Produtor que Deu para Trás e o Inverno da Autoprodução
Bem, vamos relembrar de um evento inusitado e por que não frustrante?! O Rush tinha um acordo com ninguém menos que Steve Lillywhite, o superprodutor do momento, o homem por trás dos álbuns do U2 (Boy, War) que definiam o som dos anos 80. Era a união perfeita: o maior trio de rock progressivo com o produtor mais quente da new wave. Mas, de repente, Lillywhite pulou fora. Sem muitas explicações, abandonou os caras, deixando a banda em um limbo criativo e com um mau presságio no ar.
Sem tempo e sem um nome de peso, eles acabaram com Peter Henderson, um dos profissionais envolvidos no clássico sucesso “Breakfast in America” do SuperTramp. Embora fosse um bom engenheiro, o trio rapidamente percebeu que ele não tinha a liderança necessária, e o climão gerou uma das frases mais emblemáticas de Geddy Lee em seu livro My Effin’ Life: “Nós tivemos que ‘produzir’ o Peter para que ele nos produzisse”.
O trio se isolou no Le Studio, em Quebec, enfrentando o inverno canadense e jornadas de trabalho de (f*kin’) 14 horas. O resultado reflete diretamente esse ambiente: um álbum urgente, com arestas afiadas e uma sonoridade direta. Alex Lifeson, em entrevista à Guitar Player na época, definiu o trabalho de guitarras ali como “o mais satisfatório” até então, rasgando texturas agressivas que cortavam a parede de sintetizadores de Geddy.
O Fantasma do Estúdio: O “E Se?” de Terry Brown
Quarenta anos depois, a história ganha um capítulo que parecia impossível. Terry Brown, o produtor que moldou o som do Rush nos anos 70 e cuja ausência definiu o som de Grace Under Pressure, está de volta. Ele assina uma mixagem completamente nova do álbum, um projeto que ele mesmo propôs a Alex e Ged:
“Deixem-me fazer duas músicas. Se vocês amarem, seguimos em frente.”
Eles definitivamente amaram. E agora, finalmente, teremos a resposta para a pergunta que todo fã já se fez: “Como este álbum soaria se Terry Brown tivesse produzido Grace Under Pressure?”.
A Turnê da Pedrada e o Show Perdido de Toronto
A turnê de p/g (você sabe do que estamos falando, certo?) foi igualmente intensa. Uma história, pouco conhecida por muitos, ilustra perfeitamente o clima da época. Conforme contado no livro Wandering the Face of the Earth, no segundo show da turnê, em maio de 1984, em Tucson, Arizona, um fã atirou um isqueiro do anel superior da arena durante “Distant Early Warning”, acertando Geddy em cheio na cabeça. A banda parou, Geddy foi para o camarim, levou alguns pontos e… voltou para terminar o show. O mais incrível? Geddy se recusou a confrontar o agressor, pois isso daria ao idiota a “recompensa distorcida de realmente conhecer” um membro do Rush.
É nesse clima que chegamos à joia da coroa do box: o show completo de 21 de setembro de 1984, em Toronto, com 37 minutos de material nunca antes visto. Restaurado em HD e com áudio em Dolby Atmos.
Dissecando o Tesouro: O Que Vem em Cada Caixa?

Ok, vamos ao que interessa: o que exatamente vem dentro desses pacotes que prometem ser os itens mais cobiçados da nossa coleção? Prepare o bolso e a prateleira.
Dica para os Fanáticos: A loja oficial Rush Backstage terá uma versão exclusiva dos boxes que inclui um pacote bônus com 3 litografias extras das novas ilustrações de Hugh Syme. Fique de olho, pois é o único lugar para conseguir esse item.
O Pacote Essencial: Super Deluxe (4-CD + Blu-ray)
CD 1: O álbum original de 1984, com o som que conhecemos e amamos, mas com um novo tratamento real: remasterizado por Sean Magee nos lendários estúdios de Abbey Road.
CD 2: A resposta para a pergunta de 40 anos. A novíssima mixagem estéreo de Terry Brown, criada a partir das fitas multipista analógicas originais.
CDs 3 & 4: O Santo Graal. O show completo de Toronto de 1984, mixado a partir do zero, incluindo mais de 37 minutos de áudio que nunca viram a luz do dia.
O Blu-ray (O Cérebro da Operação): Aqui a mágica acontece. Ele inclui:
O show completo de Toronto em vídeo, finalmente editado e remasterizado em HD.
O áudio do show em Dolby Atmos, 5.1 Surround e Estéreo, tudo com a nova mixagem de Terry Brown.
O álbum de estúdio original mixado em Dolby Atmos & 5.1 Surround por Richard Chycki.
A nova mixagem de Terry Brown em estéreo de alta resolução.
Os 4 videoclipes da era (Distant Early Warning, Afterimage, etc.) remasterizados em HD com som 5.1.
A Versão para os Amantes do Vinil: Super Deluxe (5-LP + Blu-ray)
O mesmo conteúdo monstro da versão em CD, mas para quem não abre mão do ritual da agulha. São 5 LPs de 180g prensados com qualidade de audiófilo.
A distribuição é a seguinte: LP 1 (Remaster Original), LP 2 (Mix de Terry Brown), e LPs 3, 4 e 5 para o show completo de Toronto. O Blu-ray é idêntico ao do outro pacote.
O Banquete Físico: Mimos Para Colecionador Nenhum Botar Defeito
Ambos os boxes vêm com um livro de capa dura de 52 páginas, trazendo as liner notes de Geddy e as novas artes de Hugh Syme. Além disso, prepare-se para as réplicas: o Tour Book original, o ingresso do show de Toronto, o passe de backstage “Total Access” e o Press Release de 6 páginas da época. Para completar, há um pôster do show, litografias da banda e um display de acrílico com iluminação LED (e sim, ele precisa de 3 pilhas AAA, não inclusas!).
Fontes:
- Anúncio Oficial e Detalhes do Produto:
- Livros de Referência:
- My Effin’ Life, por Geddy Lee
- Wandering the Face of the Earth: The Official Touring History, por Skip Daly e Eric Hansen
- Comunidade de Fãs e Notícias:
- Rush Is A Band
- What You Need to Know About RUSH Grace Under Pressure 40th Anniversary – The Loudy Boy Experience