Rush

Data de lançamento
18/03/1974
Gravadora
Mercury Records
Músicas e letras

História do álbum Rush

Rush – O Primeiro Álbum do Rush

“Por meses, Shutty, um dos primeiros amigos que fiz fora do meu “gueto” judeu suburbano, ficou insistindo para que eu conhecesse certo garoto louro que ele conhecia – alguém que eu já tinha notado na escola com aquele sorriso iluminado de querubim, o cabelo louro curto penteado de lado e uma camisa branca e púrpura com estampa paisley, que estava super na moda naquela época”. – Geddy Lee eu sua autobiografia descrevendo sobre como conheceu Alex Lifeson.

Antes de adentrarmos propriamente na gravação do primeiro álbum do Rush, é fundamental entender o fator psicológico de Geddy Lee e Alex Lifeson. Portanto, faz-se necessário contar a história dos dois músicos antes de se conhecerem, principalmente com os relatos dramáticos da fuga de seus pais da Europa para o Canadá em meio aos conflitos da segunda guerra mundial.

A Vinda da família de Geddy Lee para o Canadá

O ano é 1966, e Gershon Eliezer Weinrib tem treze anos mas na chamada do colégio ele é conhecido como Gary Lorne Weinrib. Nerd e absorto na introspecção, ele relembra sua reclusão do ano anterior – mais precisamente 11 meses e um dia – em que seguiu estritamente os preceitos judaicos de luto após o falecimento súbito de seu pai polonês registrado de forma anglicizada no Canadá como: Morris Weinrib.

Em dezembro de 1948, o senhor Weirib e a senhora Manya Weinhib saíram da Alemanha e chegaram em Halifax no Canadá, a mais de 1700 quilômetros de Toronto, fugidos das atrocidades do holocausto após onze dias navegando no mar. Ele queria ter trazido na viagem sua balalaica, mas foi impedido pela sua esposa, já que aquele instrumento esquisito ocupava um espaço desnecessário na mala para um casal que tinha poucos recursos, e iria tentar uma vida nova num país em que mal conheciam a língua.

Ambos se estabeleceram, conseguindo emprego em fábricas, mas quando Manya engravidou por duas vezes, Morris assumiu os sustentos do lar. Ele era um homem trabalhador de classe operária. Arriscou-se num emprego de uma fábrica de seu primo que produzia um material de qualidade inferior feito de restos de lã, e usado para estofar móveis baratos, e acabou se demitindo. Ele tenta o próprio negócio com um sócio, mas quando descobre que passado para trás, resolve seguir por si só abrindo um armazém numa cidade satélite de Toronto, e lá como administrador logra êxito. Morris foi bastante audacioso, já que nunca havia trabalhado com comércio anteriormente, e era bem-visto pela comunidade do bairro, até com matéria publicada no jornal local lhe descrevendo como um benfeitor da comunidade.
A vida da família Weinrib havia melhorado bastante de vida após 17 anos  de terem desembarcado no Canadá, mas uma tragédia ocorreu. Em outubro de 1965 Morris faleceu enquanto dormia, deixando a senhora Manya Weinrib, já com três filhos: Susie, Gershon e Allan.

Origem do Nome de Geddy Lee

O jovem Gershon é obrigado pelos protocolos judaicos a se afastar “do mundo lá fora” – o que inclui forçosamente deixar de lado sua paixão pela música. Ele já demonstrava um talento natural para melodias, e colecionava alguns relatos desde pequeno.  Aos seis anos, seus pais compram um piano para sua irmã mais velha, e após Susie iniciar suas aulas, seria possível flagrar o pequeno Gershon acompanhando as aulas escondido debaixo da mesa na sala ao lado. Anos mais tarde, mamãe Weinrib diria orgulhosa do talento nato de seu filho em tirar músicas de ouvido através de aulas que ele nem mesmo praticou.

O nome “Gershon” – carinhosamente também chamado de “Gary” por Manya (com forte sotaque polonês) produzia um som muito próximo aos ouvidos canadenses de “Geddy”, e foi exatamente assim que um garoto de bairro chamado Burd começou jocosamente a chamá-lo. Aos 16 anos, quando estava arrumando a papelada para tirar a carteira de motorista e a carteirinha da Federação Canadense de Músicos, descobriu que sua mãe havia registrado seu nome como: “Gary Lee Weinrib“. Batizado como “Gershon Eliezer Weinrib”, também conhecido como “Gary Lorne Weinrib”, que na verdade era Gary Lee Weinrib. Uma história cheia de reviravoltas de nomes, que no fim, ficou oficialmente registrado como Geddy Lee – indubitavelmente um dos maiores baixistas da história da música.

Como começou a Amizade de Geddy Lee com Alex Lifeson

De volta ao ano de 66, na escola Fisherville Junior High no bairro de North York, Geddy Lee conheceu Alexandar Živojinović detentor de um sorriso iluminado de querubim, e que anos mais tarde seria conhecido pelo nome artístico Alex Lifeson. A amizade foi desde o início profunda e sincera. Eles sentavam juntos na última fileira da sala, e com as peraltices substanciais da idade, ficavam tirando sarro um do outro, compartilhando obsessivamente o amor pelo rock mais pesado, enquanto deveriam estar prestando atenção na aula: “Alex nos descreve naquele tempo como uma “pequena ilha”, isolados em nós mesmos – não de um jeito hostil com o resto do pessoal, mas simplesmente não tão interessados mais em ficar com eles” – descreveu Geddy em sua autobiografia “My Effin’ Life“.

Os dois moravam no mesmo bairro de Willowdale e Alex começou a frequentar a casa de Geddy após as aulas do colégio, tornando a amizade cada vez mais sólida, principalmente quando descobriram que seus pais eram refugiados de guerra, sendo Geddy de origem polonesa e Alex de origem sérvia. A paixão pela música também pulsou forte, e os garotos de Willowdale estavam ensandecidos por: Cream, Jack Bruce, Ginger Baker e Eric Clapton. Geddy havia ganhado da mamãe Manya um violão com desenhos de palmeiras que seu vizinho Terry Kurtzer vendeu a ela, e logo logo já conseguia tirar “Oh, Pretty Woman” de ouvido.

Mesmo com o forte laço de amizade, Lee e Lifeson tocavam em bandas diferentes. O “pequeno querubim” era guitarrista da banda “The Projection” com o baterista John Rutsey e o baixista Jeff Jones, enquanto o jovem Lee formava bandas com alguns colegas, como: Ogilvy, Judd. Um detalhe curioso é que inicialmente queria tocar guitarra, mas acabou sendo sorteado à contragosto (ou pela confluência do acaso) para assumir a função de baixista.

A Origem do Nome Rush.

Na banda de Lifeson, Bill Rutsey – irmão de John sugeriu o nome que ficaria consagrado para todo o sempre: RUSH. “Estávamos tentando criar um nome para nossa banda, e ele sugeriu Rush”, recorda Alex. “É uma conotação da moda para o ambiente das drogas, a cena hippie da época. E a definição literal da palavra, porque nós éramos músicos que tocavam muito rápido, e era um nome legal, curto, incisivo. Então nós pensamos, é isso, ok.”

Foi com Alex Zivojinovich na guitarra, John Rutsey na bateria e Jeff Jones no baixo que o Rush tocou pela primeira vez músicas do Cream e Jimi Hendrix no Coff-in, um porão nos fundos da Igreja Anglicana São Teodoro de Canterbury, na avenida Cactus 111, no dia 06 de setembro de 1968 em Toronto no Canadá para aproximadamente 30 pessoas, o que rendeu para o trio o montante de 25 dólares canadenses, uma bela quantia de dinheiro acordo com as lembranças de Alex.

A banda organizou suas apresentações às sextas-feiras no Coff-in, e logo na semana seguinte, no dia 13, já ocorreria a primeira mudança com a saída repentina de Jeff Jones, que optou por ir a uma festa. Alex então sugeriu o nome de seu amigo baixista Geddy Lee que foi relutante ao ser informado que deveria cantar, pois inicialmente tinha em mente participar dos shows um formato de jam na banda. Acabou cedendo e assumiu. No repertório, a notória influência musical fora do circuito canadense: The Who, Cream, Rolling Stones, Jeff Beck Group, Traffic, John Mayall, Elvis Presley e Grateful Dead.

Os Locais de Ensaio

A casa da senhora Manya Weinrib era um dos locais que o Rush ensaiava, e o som era tão ensurdecedor que fez o vidro inteiro da cristaleira cair. Os vizinhos foram pacientes com os rapazes, mas estabeleceram um acordo para que os trabalhos musicais se limitassem às oito da noite. Outro local de ensaio era a casa de uma figura importante para a carreira do Rush – e que acompanhou a banda como roadie desde os primórdios até os começos dos anos 80, já como gerente: Ian Grandy. Os equipamentos somados aos músicos e roadies ocupavam tanto espaço na garagem, que o pai de Ian teve que tirar o carro da garagem, enquanto o veículo era assolado pela neve. Esse é o fato de que você pode ver o agradecimento ao sr. e sra. Grandy no primeiro álbum do Rush.

Além de Ian, Liam Birt não pode deixar de ser mencionado na carreira do Rush, já que entrou para a banda em 1972, e só foi se aposentar trabalhando para o trio quarenta anos depois. Ele descreveu sobre o estilo descolado dos caras: “Usavam sapatos de plataforma, jaquetas com lantejoulas, pareciam estrelas do rock. Eu me sentia como um garoto do subúrbio com um conhecimento muito limitado do que estava fazendo. Mas eles pareciam dispostos a me ter na equipe, e ao longo de muitas décadas, fomos aprendendo juntos”.

Mudança Na Lei de Maioridade no Canadá

Em 1971, ocorre uma mudança na lei no Canadá que abre as veredas do mundo do entretenimento para os jovens da banda, a lei da maioridade sofre uma redução de de 21 para 18 anos. A banda sai dos circuitos acadêmicos e migra para a vida noturna, sendo a primeira apresentação no GasWorks, e em outros pubs, principalmente o Abbey Road Pub que está devidamente homenageado no primeiro álbum do Rush.

Ray Daniels aparece e se convida para ser o empresário do Rush, que prontamente foi aceito. E qual é a primeira medida que Ray faz quando assume o posto? Demitir Geddy Lee! Além disso, ele contrata um quarto integrante e tem “a brilhante ideia de mudar o nome para Hadrian”. Com 4 integrantes: Alex Lifeson, John Rutsey, Lindy Young (teclado e vocal e irmão da futura esposa de Geddy) e um péssimo baixista chamado Joe Perna (baixo) que tinha dificuldades colossais com acompanhamento de melodias simples.

A formação foi um fracasso total! Ged volta e assume o vocal e os baixos, e a formação agora está completa: Alex Lifeson, Geddy Lee e John Rutsey. Para fazer um marketing atrativo, o sobrenome de batismo “Živojinović” de Alex Lifeson (que significa exatamente Filho da Vida) lampeja um insight ao trio, e eles começam a ser chamados propositalmente de”os caras que acabaram de voltar de uma turnê da Iugoslávia”.

<CONTINUA EM BREVE>
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Fly by night

Caress of Steel

A Farewell to Kings

Hemispheres

Permanent Waves

Moving Pictures

Signals

Grace Under Pressure

Power Windows

Hold Your Fire

Presto

Roll the Bones

Counterparts

Test for Echo

Vapor Trails

Snakes & Arrows

Clockwork Angels