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Nancy Peart Irmã de Neil Peart revela preparativos para a morte do irmão

Irmã de Neil Peart revela como a família se preparou para a morte do irmão

Starman

Família Peart teve 3 anos e meio para se preparar

Autor: Tânios Acácio – Criador do Portal Rush Brasil
Foto do banner: Neal Burstyn

Um dos assuntos mais sensíveis aos fãs do Rush é a morte do baterista Neil Peart, ocorrida em 07 de janeiro de 2020, por glioblastoma, um tipo agressivo de câncer cerebral. Não há qualquer exagero em dizer que a notícia foi um choque absoluto que sobrepujou o âmbito da música, já que além da enorme complexidade da técnica de Neil Peart na bateria e a profundidade das letras das músicas escritas por ele no Rush, Neil Peart desenvolveu uma linha filosófica, criou obras literárias excepcionais, escreveu artigos emocionantes em seu blog pessoal que consolidaram seu legado à história. 

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Neil amava viver. Neil era um apreciador da vida, um estoico como muitos o posicionam ideologicamente e chegou afirmar que “nunca se entediou por um único segundo em sua vida. Era preciso viver e enfrentar as dificuldades mundanas. “Nothing’s what you thought it would be” na música “The Pass” é uma mensagem dolorosamente clara de um ser humano que quer através da sua arte conversar com os jovens sobre um tema delicadíssimo: o suicídio. “Ei, é verdade, as coisas não são da forma como você pensava (jovem), mas enfrente os problemas, ouça essa música (que eu fiz para você)”. Em “Subdivisions”, o letrista do Rush confessa sua solidão diante de um mundo repartido sob as aparências: “be cool or be cast out (seja legal ou fique de fora da roda)”, e quando ele está contemplando a vida, almeja que o tempo pare, nem que seja por um pouco mais, e como um peregrino que aprende a transcender, ele aprende a viver como se cada passo fosse o último.

“Eu nunca fico entediado”- Neil Peart em entrevista

Em sua aposentadoria após o último show do Rush (1º de agosto de 2015), Peart encontrou satisfação em tarefas simples com sua família, e começou a frequentar um lugar que sempre foi apaixonado: biblioteca. Às terças-feiras em sua infância, o pequeno Neil passava longos períodos na pequena biblioteca do bairro de Port Dalhousie na cidade de Saint Catharines onde foi criado, principalmente “degustando” sua obra predileta “Freddy – The Pig”. “O Professor”, aposentado, resolveu fazer trabalho voluntário na biblioteca da escola de Olívia, sua filha, que a deixou muito orgulhosa. Era um momento muito especial, as noites eram dedicadas à preparação de jantares em família, solidificando um período de serenidade há muito tempo almejado. No entanto, essa felicidade foi abruptamente interrompida, com uma reviravolta trágica do diagnóstico implacável de câncer que lhe daria de 12 a 18 meses de vida.

Nancy Peart - Morte Neil - Portal Rush Brasil

Nancy Peart – sua irmã – compartilhou no podcast Kelly Barrett como a família se preparou para a despedida, já que o diagnóstico foi dado em meados de 2016, e que o sigilo absoluto seria a forma de acalentar o sofrimento: .. “foram 3 anos e meio para a gente se preparar. A gente sabia que aconteceria, e então, quando aconteceu, tivemos aquela semana de silêncio no rádio em que não podíamos contar a ninguém. Então tivemos 10 minutos antes da notícia ir ao ar para dizer a todos que não havíamos contado em três anos e meio: ‘Desculpe, mentimos. Não está tudo bem.’ Então foi muito difícil. Aquela semana foi provavelmente a mais difícil que a gente passou porque sabíamos e não podíamos compartilhar“…

A entrevistadora faz uma observação reflexiva, em que após o período de luto pela perda de um ente querido, as pessoas buscam criar alguma forma de trazer significado e de manter o espírito vivo da pessoa que se foi. Nancy Peart diz que recorreu ao RVC – um instituto especializado em tratamento de câncer- , e juntos criaram um leilão que arrecadou fundos para o tratamento de câncer.

Valor do leilão arrecadado de 75,644 dólares canadenses – fonte rvh.on.ca

Como a família Peart era fã de golfe, resolveram também criar um evento anual desse esporte com o mesmo intuito (você pode ver algumas imagens aqui e acompanhar eventos da família no site: www.peartfamilyevents.com, que já arrecadou em algumas edições valores superiores a 120 mil dólares canadenses.

Ghost Rider: A estrada da cura. Obra clássica de Neil Peart

A vida de Neil era tão intensa, e tão cheia de aventuras, que ele revela em suas obras literárias muitos momentos em que passou perigos e até mesmo refletiu sobre sua própria morte. Em seu grande clássico “Ghost Rider: A Estrada da Cura“, Neil está num dos cenários mais fantásticos onde foi gravado a série Twin Peaks – a cachoeira Snoqualmie e descreve no livro: “Infelizmente, o dia foi só ladeira abaixo depois disso. Ruim do estômago, tempo ruim. A I-90 está cada vez mais fria e chuvosa, os caminhões passam em alta velocidade, traiçoeiros, e me deixavam às cegas. Medo de haver gelo na pista. Mais uma vez, enganei a morte e sobrevivi”.

Já na obra Música para Viagem, Neil chega a refletir sobre sua própria morte. Ele relata que estava num restaurante no Tennessee e viu um casal brigando na saída de um restaurante. A mulher estava furiosa com a forma como seu marido dirigia perigosamente pela estrada, e com o dedo levantado para cima bravejou: “you workin’ them angels overtime” (“Você faz os anjos trabalharem hora extra – você faz os anjos trabalharem hora extra”).

Desde então, esse foi o lema adotado por Neil e seu amigo de viagem Brutus em sua jornada pela estrada, que posteriormente deu o insight perfeito para o refrão da música “Working Them Angels“, do álbum Snakes and Arrows.

Eu não me achava imprudente ou irresponsável, mas certo grau de risco na vida parecia válido pelo retorno prometido (…) embora não acredite em “anjos” realmente, se eu os tivesse, acho que os manteria bastante ocupados. (…) Minhas cinco décadas até o momento foram preenchidas com uma significativa quantidade de comportamento arriscado: andar de bicicleta, dirigir em alta velocidade, fumar, beber, usar drogas recreativas, andar de moto (…). Algum dia, fui obrigado a me dar conta, uma dessas coisas ia me pegar. O único consolo que havia era que eu podia morrer apenas de uma coisa, e não havia maneira de saber qual, ou quando seria atingido. Terremoto, aneurisma, acidente de avião, qualquer uma das múltiplas variedades de câncer – quem sabe?

Neil amava viver, dedicou sua vida em busca de respostas singelas, e ao mesmo tempo profundas, foi um músico extraordinário, foi um ser humano extraordinário, viveu, viveu intensamente… e ainda vive.

We are young
Wandering the face of the earth
Wondering what our dreams might be worth
Learning that we’re only immortal
For a limited time
  Dreamline – Neil Peart

Camisa Neil Portal Peart
Lojinha do Portal Camisa do Neil Peart
Tânios Acácio - Criador do Portal Rush Brasil
Tânios Acácio – Criador do Portal Rush Brasil.
Tânios se dedica a produzir conteúdos sobre o legado irreprochável do Rush, e se considera um fã não-idealista do maior power trio da história do rock. Vê o Rush como um princípio de vida.

Foto do banner:
Neal Burstyn
Kelly Barrett

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