Rush Signals

Signals o início de uma nova era do Rush

Lojinha do Portal

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Uma nova era do power-trio canadense

Autor: Tânios Acácio
Tópicos:
1. Introdução
2. Um marco na cronologia do Rush
3. As músicas de Signals
4. A saída do produtor Terry Brown do Rush
5. A capa de Signals: o dálmata farejando o hidrante

1. Introdução

O álbum “Signals” lançado em 9 de setembro de 1982 é um divisor de águas na carreira do Rush por uma gama de fatores bem nítida. Considerando a carreira da banda iniciada oito anos antes com o álbum homônimo Rush naquela pegada “à la Led Zeppelin canadense”, com músicas exaltando a jovialidade de John Rutsey, Alex Lifeson e Geddy Lee, com refrões: “hey, bebê, eu acho que estou no clima”, ou “(…), é notório que muitas mudanças ocorreram.
Com a chegada de Neil Peart ao Rush no álbum Fly by Night (em 1975), a qualidade técnica foi tão além que certamente será uma tremenda “lavada” em todos os sentidos tentar esboçar paralelos comparativos entre Peart e Rutsey, já que Rutsey queria um “rock-n-roll-café-com-leite” e Peart tinha um vasto repertório intelectual, e que posteriormente seria base nas letras do Rush com temas abordassem: guerras revolucionárias, governos totalitários num futuro utópico, entidades com forças antagônicas se enfrentando no universo, viajantes buscando a imortalidade da alma e personagens aventureiros em sagas explêndidas.
Letras extraordinariamente criativas cativaram o rebuscado imaginário nerd, no entanto, é imprescindível dizer que “o Professor” Neil Ellwood Peart em oito anos jamais havia criado uma letra tão direta para seus fãs nerds que relatasse a desolação e estranheza de ser um nerd. A primeiríssima e emblemática música do álbum Signals, “Subdivisions”, consolida essa mudança e acalenta aos fãs do Rush que se sentiam perdidos na flor da  mocidade, “be cool or be cast out“, (seja o descolado ou fique de fora)… com signals uma mudança de era ocorreu.

2. Um marco na cronologia do Rush

É fundamental termos cautela (muita cautela na verdade) ao fazer uma análise temporal da carreira do Rush, porque incorremos na armadilha de sermos anacrônicos ou historicistas, e misturar valores antigos com atuais é o pior que poderia ser feito… vamos seguir aqui uma linha que é recorrentemente aceito até pela própria banda.
Signals marca em definitivo o uso sistemático de teclados, o que levou ao desagrado de uma parte de fãs, e até mesmo do “quarto integrante do power trio”: Terry Brown. No documentário Beyond the Lighted Stage Terry é bastante enfático: “eu queria o elemento da base acústica da banda, e realmente não queria uma banda eletrônica”, e dessa forma, os integrantes do Rush chegaram a um consenso, e Neil Peart numa viagem dentro do ônibus foi o porta-voz da notícia de que Terry Brown não faria mais parte como produtor musical.

Tirinha tirada do livro Rush Toons By Fantoons Vol. 2112 .

Os integrantes do Rush estavam mergulhados na onda New Wave que varria os anos 80, e bandas como: Ultravox, Midge Ure’s Band e principalmente The Police. Um pequeno adendo, existe um fato curioso que o The Police havia ganhado o Grammy de melhor música instrumental em 1982 com a patética e entediante “Behind my Camel”, e a espetacular YYZ do Rush ficou desonestamente de fora. Por que enfatizamos “desonestamente”?! Segundo relatos do próprio do guitarrista Andy Summers do The Police, “não tínhamos músicas suficientes para preencher o álbum (Zenyattà Mondatta), e eu tinha aquela coisa de ‘Behind My Camel’. Aí falei: ‘Que tal fazer isso então?’ E o Sting disse: ‘Não vou brincar com isso!’ Na verdade, acredito que ele enterrou a fita com Behind my Camel no jardim.
Por favor não ouça:

Nós te avisamos! –
Behind my Camel do The Police

Retomando, há uma enorme vontade de Neil, Alex e Geddy em dar um passo no desconhecido, era uma propósito defendido que “não havia nenhum ritmo musical no mundo que não pudesse ser combinado com o Rush”. Segundo Peart, “essas palavras jamais poderiam ser ditas”. Além disso, havia uma necessidade de “se pegar mais leve nos shows”, já que nas últimas turnês, a banda estava de acordo que havia adotado uma dinâmica mais mecanizada, e a diretriz agora deveria ser mais espontânea. As agendas de shows da turnê Signals chamada “New World Tour” teriam menos tempo de duração, com pausas de três em três meses para descanso, e até mesmo o formato do show teria de ser mais divertido. O violonista Ben Mink conhecido pelo lindo solo da faixa “Losing it” (falaremos dele mais dela abaixo), foi responsável também por criar uma nova versão melódica da música tema dos “Três Patetas” para aparecer nos telões antes dos shows do Rush. O power-trio também optou por patetices e trocadilhos durante as performances dos espetáculos, substituindo versos de “Spirit of Radio” para “Spirit of Baseball”, e “Temples of Syrinx” para “the plumbers of sinks” (Os encanadores de pia).”

3. As Músicas de Signals

SUBDIVISIONS

“Subdivisions” marca a angústia de jovens que se sentem alienados em meio a uma sociedade que valoriza a trivialidade do conformismo, e de modelos sociais pré-estabelecidos. A combinação da melodia cativante com letras profundas e relevantes tornou essa música como um hino para muitos que enfrentam questões dolorosas em seu cotidiano.

Growing up it all seems so one-sided
Opinions all provided
The future pre-decided
Detached and subdivided
In the mass production zone

Ao crescer, vemos que tudo é parcial
As opiniões, todas prontas
O futuro, pré-decidido
Avulso e subdividido
Na zona de produção em massa

No livro “Rush Album by Album“, somos convidados a nos debruçar sobre a inovação sonora da faixa “Subdivisions”, que se tornou um verdadeiro divisor de águas na carreira do Rush. De uma maneira intrigante, a canção com mais presença de teclados acabou se tornando o maior sucesso do álbum “Signals”. Mas por que “Subdivisions” tem um charme tão especial?

Martin Wawrzyniak, um expert em Rush e dono do maior acervo catalogado sobre a banda, nos oferece uma pista interessante: “Subdivisions” é uma espécie de carta aberta de Neil Peart, uma janela para as origens de onde o trio emergiu e uma visão sobre o universo que acreditava ser o habitat natural de muitos dos fãs da banda. Esse laço de identificação pode ter atraído ainda mais admiradores para o grupo. Apesar do sucesso arrebatador de “Moving Pictures”, com sua produção exímia, a inclusão de “Subdivisions” acenou para um novo público, atraído pela identificação com a narrativa da canção.

Chris Nelson, baixista da banda Lotus Land, acrescenta que a música tem assinatura de tempo super diferente chamada 7/4. Traduzindo para os leigos, a música te chama pra uma “dança” especial, que foge dos ritmos comuns, mas ainda assim é tão familiar quanto uma batida 1, 2, 3, 4. É como se a música estivesse te convidando pra uma festa louca, onde você pode se jogar e se divertir sem medo de errar os passos. É uma mistura de ousadia e conforto, tudo numa só melodia.

Mesmo que possa parecer menos complexa, Neil Peart já afirmou que Subdivisions é sempre um desafio de ser tocada, e que a canção foi um passo importante para a carreira do Rush, já que foi a primeira vez que Neil compôs com base no teclado, com uma mudança substantiva de perspectiva em que ele e Alex ficam responsáveis pela seção rítmica da música”. 

Por fim, relembramos o que Peart disse sobre o que envolvia tocar “Subdivisions” certa vez numa entrevista para a revista Rolling Stone: “Eu ainda não acreditava que poderia colocar algo real em uma música (…)  passou a ser um hino para muitas pessoas que cresceram nessas circunstâncias e, a partir de então, percebi que o que mais queria colocar em uma música era a experiência humana. ”Em um panorama mais amplo, “Subdivisions” se destaca na discografia do Rush não apenas por sua estrutura e produção, mas pela forma como ressoou com o público. Seu sucesso sinalizou uma nova fase na banda, uma fase em que eles conseguiram equilibrar seu virtuosismo instrumental com uma empatia lírica que pareceu tocar diretamente no coração dos fãs.

THE ANALOG KID e DIGITAL MAN

É muito comum que os fãs do Rush relacionem as canções “The Analog Kid”e “Digital Man”, por se tratarem de adjetivos tecnológicos: analógico e digital, e sim, há razões claras para isso. “O Professor” afirmou uma vez numa entrevista da edição da revista Sounds em 1982 de que ‘The Analog Kid’ foi criada como uma peça de acompanhamento para ‘Digital Man’. Outras teorias sustentam que as duas músicas têm o próprio Neil Peart como protagonista.

Imagine um rapaz que viveu nos anos 60 na pequena cidade interiorana canadense em Saint Catharines, “abarrotado pela falta de tecnologia”. Imagine mais uma vez que esse mesmo rapaz confessou quando virou adulto de que havia alcançado sua independência musical aos dez anos quando ganhou um radinho de pilha da mamãe Betty Peart. A vida era tão analógica, que Neil chegou a dizer que achava que cada música que ouvia no rádio estava sendo transmitida ao vivo de um estúdio, e que os músicos corriam de uma estação de rádio para outra. Sim, há razões para suspeitarmos que esse “rapaz analógico” que viu seu mundo mudar com o advento da tecnologia era o próprio Neil Peart.

Em 1982, em uma entrevista para a Scene Entertainment Weekly Magazine, o melhor baixista do mundo explicou que a abordagem sonora dessas músicas foi significativamente diferente das anteriores. Enquanto no passado a banda buscava um som amplo e profundo com destaque para as guitarras, dessa vez optaram por uma maior utilização de sintetizadores. A intenção era criar um ambiente sonoro único, permitindo que a guitarra ocupasse um lugar próprio, sem precisar de muitas sobreposições.

Lee também mencionou que o “Digital Man” apresenta influências de ska, uma direção musical que eles pretendem explorar mais no futuro. Com essas faixas, o Rush demonstra sua constante evolução e busca por inovação em sua música. A mistura de reggae, ska, synth-pop e rock na música levou a banda a alcançar um novo marco em sua carreira, mas que criou atritos no estúdio devido à discordância do ponto de vista do produtor Terry Brown. Apesar dos conflitos, “Digital Man” destaca-se pelo ritmo habilidoso e pelos baixos aventureiros, juntamente com a guitarra estridente de Lifeson e o inesperado solo de blues, tornando-a uma música complexa e única.

Dentro do contexto histórico, as duas faixas nos mostram um reflexo da transição para a era digital, um momento em que a tecnologia se tornava cada vez mais intrínseca à vida cotidiana. Ambas retratam o conflito entre o antigo e o novo, entre o analógico e o digital, expondo a tensão existente. Essa percepção apurada do Rush sobre o mundo ao seu redor e a habilidade de transcrevê-la em música são algumas das razões pelas quais o power-trio é tão singular.

Chemistry, The Weapon e Losing It

“Chemistry” destaca-se por sua letra e música escritas pelos três integrantes da banda, algo incomum até então nos oito anos de carreira. Durante sua composição cada um contribuiu com suas ideias e frases-chave avulsas, tornando o processo colaborativo fácil, fluido… e sinceramente bastante estranho. Lembremos aqui a letra:

Eye to I
Reaction burning hotter
Two to one
Reflection on the water
H to O
No flow without the other
(…) 

Emotion transmitted
Emotion received
Music in the abstract –

Olho no olho*
Reação arde mais quente
Dois a um
Reflexo na água
H para O**
Um não flui sem o outro
(…)
Emoção transmitida
Emoção recebida
Música no abstrato –

Essa canção é um exemplo fácil de notar do direcionamento musical do Rush, afastando-se de suas raízes progressivas e mergulhando de cabeça na “new wave”. Tudo bem! o álbum tem a proposta de mergulhar na temática metafórica de “sinais”, e a canção aborda as relações interpessoais e os vínculos emocionais, destacando a capacidade das pessoas se conectarem além das palavras, por meio desses sinais e de suas emoções compartilhadas, tudo bem, melodicamente funciona, mas é estranho ver uma letra do Rush lançando palavras ao léu.

The Weapon

O uso do medo como instrumentalização política é o que resume “The Weapon”. Descrevendo o poder dos governos e ideologias de explorar o medo de seus seguidores, ‘The Weapon’ é uma canção profunda, e também a mais longa do Signals. O primeiro verso fala da tirania dos governos, enquanto o segundo alude ao perigo do mal uso da religião quando ela se torna inquestionável. Tratando-se especificamente sobre religião, Neil era ateu declarado, e já confessou em seu livro “A Estrada da Cura” que nunca “sacou” direito sobre religião, mas que entrar em igrejas católicas, por exemplo, era uma forma dele se conectar espiritualmente com sua filha Selena, por lembranças marcantes que ele guardava quando os dois visitaram igrejas na França.
Apesar dessa imagética brutal e de uma canção que aborda quase exclusivamente o motivo pelo qual essas ideologias devem ser temidas, um último verso incisivo revela uma verdade universal sobre todas as tiranias: ‘O conhecimento que eles temem/ É uma arma a ser usada contra eles’. 

Losing it

“Losing it”, uma canção que aborda o tema da perda da arte e do talento ao longo do tempo. Essa música é particularmente memorável pela presença do renomado violinista Ben Mink, que trouxe um elemento clássico e comovente à melodia. “Losing it” retrata a tristeza e a melancolia associadas à ideia de perder algo precioso, seja a habilidade de se expressar artisticamente ou a paixão pela vida. A profundidade emocional dessa música ecoa nos corações daqueles que valorizam a criatividade e a expressão artística.

Além da melodia textural que complementa a estrutura principal da canção, há também um solo agressivo de violino que contribui para a natureza inesperada e singular da música, valendo lembrar que o violino foi concebido como um componente central da composição, e não acrescentado como uma reflexão tardia.

A título de curiosidade, outro violonista que tocou em muitas apresentações do Rush a música “Losing it” nas turnês Clockwork Angels e R40 foi Jonny Dinklage, o irmão do brilhante ator Peter Dinklage que atuou no papel de Tyrion Lannester de Game of Thrones.

New World Man

“New World Man”, junto com “Subdivisions”, representa um dos maiores sucessos do álbum. Popoff a interpreta como um dos primeiros singles intencionais da banda, ou, ao menos, uma faixa que recebeu um impulso especial da gravadora. Contudo, surgiu de maneira um tanto tardia no processo criativo.

O trio canadense concluiu as sessões de gravação com sete músicas prontas, e, percebendo que ainda tinha espaço para uma faixa adicional, decidiu criar mais uma música. Seguindo um padrão estabelecido nos três ou quatro álbuns anteriores, a banda aproveitou ao máximo o tempo restante na gravação. Eles identificaram um espaço de três minutos e cinquenta e sete segundos que poderiam utilizar e se desafiaram a compor uma faixa que preenchesse exatamente esse tempo. Esse esforço se tornou o que chamaram internamente de “Projeto 3:57”, e que eventualmente evoluiu para “New World Man”, um single com uma pitada adicional de reggae.

Musicalmente, segundo o escritor Philip Wilding, “New World Man” tem uma composição dos acordes bastante simples para os padrões da banda. É uma música de rock direta, sem adornos desnecessários, mas com uma bela adição do ritmo do reggae. A habilidade da banda em tocar reggae é surpreendente, soando autêntica e não forçada. O baixo de Geddy Lee é marcante, Neil Peart mostra toda sua excelência na bateria, e Alex Lifeson adiciona seu toque único com um coro rico, soando autenticamente como ele mesmo. Este é outro exemplo do uso eficaz do eco de retorno, um recurso também explorado em “Subdivisions”.

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“New World Man” é uma música que retrata a figura do “homem do novo mundo”, um personagem moldado pelas complexidades e ambiguidades da vida moderna. Ao abordar problemas como poluição e controle de armas, a letra da música reflete uma visão observadora e bem pensada, apresentando uma perspectiva mais esperançosa em relação aos Estados Unidos. Essa dualidade reflete a experiência humana na sociedade contemporânea, caracterizada pela constante necessidade de se adaptar a múltiplas e muitas vezes conflitantes demandas e expectativas. A música ainda aborda temas de comunicação e desencontros, sugerindo que este “homem do novo mundo” está lutando para se conectar com os outros em um mundo cada vez mais complexo e fragmentado.

Os temas ressoam com as preocupações mais amplas de Rush sobre o indivíduo e a sociedade, tornando “New World Man” um ponto alto intrigante e relevante no seu catálogo.

Countdown

“Countdown” é uma música notável do álbum Signals do Rush, devido à sua origem e temática ligadas à exploração espacial. No livro “Rush Album by Album“, Bill Wawrzyniak menciona uma entrevista em que Geddy Lee estabelece uma conexão entre “Countdown” e “Cygnus X-1”, do álbum A Farewell to Kings. Ambas as canções carregam uma essência de ficção científica, porém “Cygnus X-1” é mais fantástica, enquanto “Countdown” é baseada em um evento real vivenciado pela banda.

Rush no Cabo Canaveral na Flórida em abril de 1981. Fonte: 2112.net
Rush no Cabo Canaveral/Flórida em 1981.
Fonte: 2112.net

Em abril de 1981, quando o Rush estava em turnê, os membros tiveram a oportunidade de visitar o Cabo Canaveral, na Flórida, para assistir ao lançamento do Ônibus Espacial Columbia. O lançamento foi tão significativo para eles que acabaram indo e voltando diversas vezes para assistir, mesmo com a agenda apertada entre os shows em diferentes cidades. A experiência inspirou a banda a criar “Countdown”, uma homenagem musical a esse marco da exploração espacial.

O contexto histórico é importante aqui. A Columbia foi o primeiro ônibus espacial a orbitar a Terra, inaugurando uma nova era na exploração espacial. Era um período de otimismo e excitação com as possibilidades da tecnologia espacial, sentimentos que Rush captura em “Countdown”. A letra descreve os preparativos para o lançamento e a decolagem em si, retratando a tensão e a emoção do evento.

Interessante também é lembrar que o local onde a banda assistiu ao lançamento era conhecida como Red Sector A. Neil Peart, letrista e baterista da banda, ficou tão impressionado com o nome que anotou em seu caderno e posteriormente o utilizou como título para uma música no álbum subsequente, Grace Under Pressure.

É digno de nota que “Countdown” ganhou um vídeo que incorporava algumas das imagens do lançamento do ônibus espacial fornecidas pela equipe do Cabo Canaveral. Apesar de ter sido tocada ao vivo algumas vezes, talvez a música não tenha se tornado uma favorita da banda. Independentemente disso, “Countdown” permanece como um exemplo da fascinação do Rush pelo espaço e sua capacidade de traduzir essa admiração em música.

4. A saída do produtor Terry Brown do Rush

A saída de Terry Brown do Rush marcou o fim de uma era para a banda. Conhecido carinhosamente como “Broon” pelos membros do Rush, ele foi o produtor mais longevo, e trabalhou na banda do álbum desde o “Fly by Night” de 1975 até o “Signals” de 1982.

Terry comenta sua saída do Rush no documentário Beyond The Lighted Stage (legenda em espanhol)

Terry Brown era mais que um produtor para eles, era como um quarto membro não oficial da banda, uma figura paterna até. Ele era a pessoa que sabia equilibrar as ideias musicais audaciosas do Rush com a necessidade de criar canções acessíveis. Brown foi fundamental na modelagem do som clássico do Rush, e seu trabalho com a banda é considerado por muitos como a “Era de Ouro” do Rush.

Entretanto, após a gravação de “Signals”, houve uma sensação mútua de que era hora de uma mudança. O uso cada vez maior de sintetizadores e teclados no álbum “Signals” foi um ponto de divergência entre a banda e Brown. Não que houvesse desentendimentos acirrados, mas havia um sentimento de que eles estavam começando a seguir caminhos musicais diferentes.

5. A capa de Signals: o dálmata farejando o hidrante

Já imaginou se deparar com a cena de um dálmata farejando um hidrante, bem ali, estampada na capa de um álbum de rock? Pois bem, essa foi a ideia inusitada do designer oficial do Rush: Hugh Syme.

Segundo Syme, a ideia para a capa de “Signals” foi fruto de um processo repleto de becos sem saída. A banda e ele consideraram várias propostas inusitadas, como a inclusão de imagens de código morse, ou a conexão dos músicos da banda a um eletroencefalograma enquanto estavam gravando no estúdio. A ideia central era capturar as oscilações de seus batimentos cardíacos ou ondas cerebrais. Mas, no final, tudo parecia excessivamente sofisticado.

Jerry e Gerry, apresentadores do podcast “Something For Nothing: A Rush Fancast” explicam ainda mais a fundo, baseados no livro de Hugh Syme “The Art of Rush: serving a life sentence”. Syme encontrou inspiração ao passar pelo posto de bombeiros na rua Fire Station 312, localizada na Yorkville Ave, em Toronto. Ali, ele avistou um dálmata próximo a um hidrante, e foi nesse momento que a ideia da capa surgiu em sua mente: um cachorro farejando um hidrante. Parecia uma imagem estranha e até mesmo peculiar, mas era justamente essa singularidade que tornava a capa tão especial.

A presença do cachorro junto ao hidrante vermelho tornou-se icônica e passou a ser associada diretamente ao Rush. Por trás dessa imagem, há também pequenos detalhes que capturam nossa atenção. Na contracapa do álbum, por exemplo, podemos observar um mapa do bairro, com alfinetes vermelhos representando os hidrantes presentes em toda a região, como se fosse o mapa do banheiro percorrido pelo cãozinho pintado.

Contracapa Signals - Easter Eggs - Portal Rush Brasil
Easter Eggs da Contracapa de Signals

Além disso, Syme também inseriu outros easter eggs no mapa da contracapa: “Old Dirk Road”, em homenagem ao apelido interno “Dirk” de Geddy Lee dentro da banda, “Lerxt Mall”, apelido “Lerxst” de Alex Lifeson e “Neil Peart Secondary School”. A presença desses elementos cria uma conexão única entre a capa do álbum e os integrantes do Rush.

A arte de capa do álbum “Signals” do Rush é muito mais do que um simples cachorro farejando um hidrante. É uma composição cuidadosa, repleta de referências sutis e significados ocultos. Hugh Syme, com sua genialidade artística, foi capaz de capturar a essência da banda e criar uma imagem icônica que permanece na memória dos fãs até os dias de hoje.

6. Conclusão: O impacto duradouro do Signals

A turnê do álbum “Signals” foi um marco significativo na carreira do Rush, consolidando sua posição como uma das bandas mais inovadoras e ousadas do rock progressivo. Enquanto o álbum em si recebeu reações mistas de fãs e críticos, foi a turnê de apoio que realmente impulsionou a banda para um novo nível de reconhecimento e evolução artística.

Durante a New World Tour, o Rush ousou reformular completamente seu repertório, abandonando os grandes blocos de músicas dos álbuns anteriores em favor de uma abordagem temática mais coesa. As apresentações ao vivo foram marcadas por elementos cômicos e releituras criativas das músicas, exemplificadas pela versão deturpada das letras de “2112”, onde os padres dos templos de Syrinx se tornaram os “encanadores que consertam suas pias”. Essa mudança refletiu a atitude da banda em seguir em frente, explorando novos horizontes musicais e desafiando as expectativas do público.

A escolha de incluir sete das oito músicas de “Signals” no repertório da turnê demonstrou a confiança do Rush em seu novo material. O álbum foi apresentado como uma parte essencial do show, ao lado de faixas icônicas de álbuns anteriores, como “Moving Pictures” e “Permanent Waves”. Essa abordagem reforçou a mensagem de que o power trio canadense estava disposto a avançar artisticamente, mesmo que isso significasse deixar para trás alguns dos clássicos do passado.

Essa abordagem corajosa e inovadora estabeleceu uma nova era para o Rush, que continuou a explorar novos territórios musicais em álbuns subsequentes, e solidificaram a identidade da banda no legado musical.

Tânios Acácio - Criador do Portal Rush Brasil

Tânios Acácio – Criador do Portal Rush Brasil.
Tânios se dedica a produzir conteúdos sobre o legado irreprochável do Rush, e se considera um fã não-idealista do maior power trio da história do rock. Vê o Rush como um princípio de vida.

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