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“Alex Lifeson além do Rush: nova fase, novas sonoridades, muitos projetos — e a cerveja que (ainda) não chegou ao Brasil”

Lojinha do Portal

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“Olá, eu sou Alex Lifeson, do Rush… ops, deixa eu começar novamente… Eu sou Alex Lifeson, e você está assistindo Sonic Perspectives.”

É dessa forma espontânea que começou a entrevista conduzida por Rodrigo Altaf, publicada em 2 de abril de 2025 no site Sonic Perspectives entrevistando Alex Lifeson. O Portal Rush Brasil teve acesso antecipado à íntegra do material, realizado no dia 25 de março, e traz agora uma reflexão aprofundada sobre os temas abordados por Lifeson — e também sobre o modo como ele os abordou: com leveza, franqueza e um notável senso de tranquilidade.

Rodrigo conseguiu conduzir a conversa que além do clichê “Alex do Rush”. A entrevista caminha por colaborações recentes, escolhas estéticas, posturas criativas e reflexões que colocam em destaque o músico inquieto que Alex Lifeson continua sendo. Mesmo entre os fãs mais puristas — que nem sempre se identificam com o som de sua nova banda, o Envy of None — há de se reconhecer: trata-se de um artista autêntico que repele para bem longe qualquer vínculo que o faça viver num eterno estado de nostalgia.

Esquerda -> Direita: Alfio Anninnalini, Alex Lifeson, Maiah Wynne e Andy Curran

Ao falar do novo álbum do Envy of None, Stygian Waves, Lerxst comenta sobre sua preferência atual por solos que servem à música, criando atmosferas e nuances, em vez de buscar destaque técnico. Ele cita, por exemplo, a faixa “The Story”, em que a função da guitarra é puramente emocional. Ao longo da entrevista, também revela sua admiração por Maiah Wynne, vocalista da banda, e a forma como suas viagens à Índia e vivências têm influenciado o som coletivo — como na ideia de incluir timbres que evocam o oud, instrumento do Oriente Médio. Completam a formação do grupo Andy Curran, no baixo e backing vocals, e Alfio Annibalini, responsável por programações e sintetizadores.

Capa de Stygian Waves – Envy of None Fonte: site oficial da banda.

Quiz:

O que representam as imagens gráficas estilizadas das capas dos álbuns do Envy of None, segundo Alex Lifeson?

a) Elas simbolizam dualidade e conflitos internos de Maiah
b) São homenagens a enfermeiras canadenses da década de 1970
c) Não têm um significado específico, apenas estética gráfica e fashion
d) Representam arquétipos femininos da mitologia persa

Resposta correta: c)

Possíveis Apresentações? Projetos Atuais

“Ninguém deveria ter medo de me chamar pra fazer algo. Eu realmente adoro essas coisas.

O guitarrista não descarta a ideia de fazer shows com o Envy of None, mas reconhece que colocar isso em prática envolve uma série de fatores: logística, ensaios, promoções e compromissos pessoais de todos os integrantes. A sinceridade da resposta reforça o tom realista que Alex mantém ao falar sobre a fase atual da sua carreira. Ele diz que atualmente está envolvido em um projeto musical ao lado dos integrantes da banda Rheostatics e de Kevin Hearn, do Barenaked Ladies, para a trilha sonora de um documentário sobre os Grandes Lagos canadenses. 

Rush dos anos 80

Um assunto que veio à tona no bate-papo foi um tópico que “vira-e-mexe” é relembrado pelos fãs do Rush: qual o real sentimento de Alex com os teclados dos anos 80 no Rush? Uma coisa é Lifeson conceder entrevistas para jornalistas durante anos a fio, outra coisa é abrir o jogo na autobiografia de Geddy Lee, e foi exatamente isso que aconteceu nas páginas de “My Effin’ Life”. O guitarrista do power-trio revelou:

“Depois do primeiro dia de gravação, estávamos trabalhando em ‘Prime Mover’ (gravação de Hold Your Fire) com muita gente dentro do estúdio, e eu toquei aquele riffzinho de guitarra de trás do console e você disse ‘não gostei!’; então, eu disse para mim mesmo: Vou guardar a guitarra. Tô fora. Não quero mais fazer isso.” — Alex Lifeson, citado por Geddy em My Effin’ Life (2023).

Uma banda reconhecidamente no universo do “show business” pela leal amizade entre seus integrantes, e com poucos conflitos internos, enfim teve um momento de grande controvérsia.
Na entrevista para a Sonic Perspectives, Lifeson dá uma declaração que relembra em algum ponto sua declaração no livro “Contents Under Pressure“, de Martin Popoff, em que Counterparts foi um divisor importante. Veja ambas as declarações:

“Counterparts foi ótimo porque foi o primeiro disco onde realmente evitamos os teclados. Usamos pouquíssimo, e claro, isso levou eventualmente a Vapor Trails, que não tem nenhum. E esse era meu objetivo final (risos).” — Alex Lifeson, em Contents Under Pressure.

Na entrevista na Sonic Perspectives.

(…) as coisas mudaram com Counterparts; voltamos a um núcleo mais de condução(…) em Envy of None, nós temos muitos teclados, então não é como se eu os odiasse ou algo assim. É só – eu acho que é a pureza dos músicos fazendo esses sons … eu já superei isso.


🎸 Quiz: Como Geddy Lee descreveu sua reação ao ouvir Alex Lifeson relatar, décadas depois, como se sentiu durante a gravação de Hold Your Fire?

a) “Talvez Lersxt só precisasse de um tempo sozinho… jogar um golfe, e eu bater umas bolas (beisebol).

b) “Foi difícil para todos nós naquela época, o Neil(Peart) quem “segurou as pontas”.

c) “Tomou um proporção que ninguém ficou satisfeito. O primeiro momento que a gente se deu um gelo desde os tempos de colégio”.

d) “Oh, p*ta m*rd@! Eu já havia admitido que às vezes, sem dúvida, sou cara mandão, mas ouvir isso depois de todos esses anos fez com que eu me sentisse um babaca.”

✔️ Resposta correta: d)

O sucesso da Cerveja do Rush! Por que não vem para o Brasil?

Aqui vai nosso reconhecimento ao jornalista Rodrigo Altaf por ter abordado, durante a entrevista com Alex Lifeson, a ausência da cerveja oficial do Rush nas prateleiras brasileiras. Para quem acompanha de perto a trajetória do Portal Rush Brasil sobre esse tema, sabe que essa não é uma questão nova.

Em setembro de 2023, após analisarem o material que produzimos, a própria Henderson Brewing solicitou uma reunião com o Portal Rush Brasil foi conduzida por Tânios Acácio (criador do Portal) e Humberto Rezende (responsável comercial), que apresentaram dados concretos sobre o potencial do mercado brasileiro. Veja abaixo o material elogiado pela Henderson… usamos até o MacGyver de garoto-propaganda.

O documento incluía dados de público dos shows da banda no país em 2002 e 2010, destaques sobre os grandes eventos nacionais como a Rush Fest em Criciúma, histórico de vendas da Editora Belas Letras, além de provas do engajamento das bandas covers e do apoio da imprensa especializada.

Nós aceitamos o desafio proposto pela Henderson encontrar uma empresa brasileira com estrutura e interesse em realizar a importação da cerveja. Um mês posterior conseguimos uma empresa paulista especializada, que manifestou interesse formal no projeto — mais um passo concreto rumo à viabilização da cerveja no Brasil. No entanto, como o próprio Alex Lifeson comentou na entrevista: “(…) cada país, cada estado está fazendo negócios com uma entidade diferente quando se trata de qualquer coisa relacionada a álcool. E certamente, o Brasil, eles têm algumas das maiores empresas de álcool ou cerveja do mundo que são donas da maioria das empresas de cerveja aqui. Então, é difícil entrar em outros mercados que são muito, muito protegidos porque há muito dinheiro em bebidas.


Nota do Portal Rush Brasil: Os brasileiros estão entre os fãs mais apaixonados e engajados do planeta — e isso vale também no universo do rock. Basta lembrar o sucesso da cerveja do Iron Maiden produzida em Curitiba pela Bode Brown, amplamente distribuída no país. O público por aqui não apenas consome com entusiasmo: ele abraça, divulga e transforma produtos em fenômenos culturais. Talvez esteja na hora do mercado internacional perceber que, quando se trata de Rush, o Brasil está pronto para brindar — e fazer acontecer.que esse público não só consome… como faz acontecer.

Outros Projetos Musicais de Lifeson que vale a pena lembrar

O entrevistador relembra outros projetos importantes de Alex que talvez você não conheça: Porcupine Tree, Fu Manchu (ouça “Il Mostro Atomico”), Marco Minnemann (“On That Note”) e Rick Emmett, do Triumph (“Human Race”), que comprovam a ampla miríade artística de que transita por diferentes estilos e formações com naturalidade — sem precisar estar sob os holofotes.

Alex Lifeson conversa sobre sua colaboração com o baterista Marco Minnemann (2020)

Nosso colega e colaborador do Portal Rush Brasil – Leeo Skinner da banda tributo Chorus comenta a respeito: “As guitarras de ‘On That Note’ são bem a vibe do Alex Lifeson nos anos 70. Essa música é composição dele.”

15 anos depois, uma pergunta respondida

Alex discute com a sua família sobre seu futuro

Desde o lançamento do documentário Rush: Beyond the Lighted Stage (2010), uma dúvida rondava o imaginário dos fãs: por que a família Zivojnovich (ou Lifeson em inglês) permitiria que uma discussão tão íntima fosse registrada em vídeo? Na cena, o jovem Alex discute com os pais sobre o desejo de seguir a carreira musical — um momento cru, desconfortável e incrivelmente real. Teorias e mais teorias criadas a esse respeito, mas agora podemos ter certeza do que ocorreu.

“Eu não quero ganhar muita grana, tipo assim, se eu ganhar muito dinheiro, ótimo, mas eu não vou para a universidade só pra um grande diploma (…) não quero dirigir por aí em um carro grande e ver e fazer as pessoas dizerem: “ei, lá vai Alex, ele está cheio da grana e, digam, ele se deu bem”” – Alex Lifeson no documentário Beyond The Lighted Stage (2010).

15 anos depois, essa entrevista da Sonic Perspectives finalmente ajuda a dar o real contexto a essa situação. Durante a conversa com Altaf, Alex relembra que tudo aconteceu no filme “Come On Children“, dirigido pelo canadense Allan King, dentro do estilo experimentalista chamado: cinéma vérité.

Alex Zivojinovich atuando em “Come on Children”(1973)

Em 1971, ele foi selecionado após uma audição e, aos 18 anos, protagonizou uma das cenas mais impactantes do longa. Aquela gravação acabou eternizada no documentário oficial do Rush, reacendendo o debate entre os fãs. A pergunta permanece válida: por que deixar que um momento tão delicado assim fosse filmado? A resposta provavelmente está nas entrelinhas: a própria família, ainda que não dissesse em voz alta, já tinha conhecimento da vocação e talento de Alex Lifeson. Nossa opinião mais franca é de que é bem possível que os Zivojinovich reconhecessem que aquele garoto com uma guitarra na mão carregava algo que o mundo precisava conhecer.


Projetos Sociais Grapes Under Pressure: Será que volta?

Outro ponto importante é o evento beneficente chamado Grapes Under Pressure (vamos explicar a piada se você não entendeu), uma iniciativa criada por Ged e Lifeson em parceria com a organização Grapes for Humanity. O guitarrista confirma que adoraria realizar uma nova edição e que, apesar da pausa causada pela pandemia, ele e Garrett Hermann — membro do conselho da instituição — continuam discutindo a possibilidade de um retorno.

“A gente se divertiu muito fazendo aquilo. E agora que as coisas se acalmaram, talvez este seja o ano certo para voltar.” — Alex Lifeson.

A iniciativa combina vinhos, música e solidariedade em eventos exclusivos, com arrecadações voltadas para causas humanitárias e ambientais.

Onde ouvir Envy of None

O álbum Stygian Waves está disponível para streaming nas principais plataformas. Ouça no Spotify ou visite o site oficial da banda.

No fim, o que a entrevista com Rodrigo Altaf nos revela é um Alex Lifeson ainda movido por curiosidade, respeito aos parceiros musicais e um desejo sincero de continuar criando. Nem sempre o resultado agradará a todos os fãs do Rush, mas dificilmente se pode dizer que lhe falta coragem ou autenticidade.

E isso, para qualquer artista, é o que mais importa.

📚 Fontes e Referências

🗞️ Entrevista exclusiva
Rodrigo Altaf com Alex Lifeson
Publicada em Sonic Perspectives, 2 de abril de 2025

📘 Martin Popoff
Contents Under Pressure: 30 Years of Rush at Home and Away

📗 Geddy Lee
My Effin’ Life – Editora Belas Letras

🎬 Documentário – Rush: Beyond the Lighted Stage
Dir. Scot McFadyen e Sam Dunn, Banger Films, 2010
→ Inclui o trecho com Alex discutindo com os pais, extraído do filme Come On Children.

🎥 Filme – Come On Children
Dir. Allan King, 1973
→ Filme com Alex Lifeson aos 18 anos. Disponível no YouTube


🌐 Envy of None (projeto atual de Alex Lifeson)

🔗 Site oficial: envyofnone.com
📸 Instagram: @envyofnone_

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