Sobre Anika Nilles – A Nova Baterista do Rush

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Rush está de Volta aos palcos com Anika Nilles

Esse artigo será escrito em partes, porque estamos abrindo espaço para que os fãs do Portal Rush Brasil possam contribuir. Nosso intuito é fazer um texto bem detalhado sobre Anika Nilles: a nova baterista do Rush.

Dia 06 de outubro de 2025 foi nos lançado uma bomba, sim, uma bomba! A ideia de um retorno do Rush aos palcos era uma improbabilidade contundente, um disparate quase sacrílego. Nós fomos um que desacreditavam nessa possibilidade, e de certa até com uma arrogância contundente: nunca, “never”, “nie”, “jamais”! Quando Geddy Lee disse que havia conseguido “tirar o elefante da sala” ao tocar músicas do Rush com Lifeson no show em tributo ao falecido baterista do Foo Fighters em setembro de 2022, e que isso poderia ser algum sinal de retorno nós duvidamos com veemência.

Pois bem, quebramos a cara! e o Rush está de volta com apresentações ao vivo com Geddy Lee, Alex Lifeson e Anika Niles, com a turnê Something for Nothing que se inicia em junho 07 de 2026 para alegria de (quase) todo mundo. O peso da ausência de Neil é uma sombra vasta, e a transição de “o fim das turnês” para um novo line-up é um terreno delicado que estamos explorando agora.

NÃO SÃO TODOS QUE ESTÃO FELIZES COM A VOLTA DO RUSH… E ESTÁ TUDO BEM

Assim que Geddy Lee e Alex Lifeson confirmaram o retorno, fomos tomados por aquela adrenalina que estava latente desde o encerramento da R40, em agosto de 2015. Nossa reação imediata no Instagram foi de puro instinto e emoção, mas nosso papel exige que olhemos além do clamor inicial. Passado o alvoroço, ouvimos nossos fãs, músicos de bandas covers, fãs que atravessaram décadas acompanhando o trio e pesquisadores da nossa comunidade. O que encontramos foi um mosaico complexo de sentimentos. Não há um consenso absoluto, e isso é o que torna tudo mais humano.

Embora a maioria celebre o retorno com o entusiasmo de quem ganha uma nova chance, existe uma ala respeitável de fãs que prefere manter o Rush cristalizado como aquela entidade sagrada e intocável que Neil Peart ajudou a definir. Para esses, o silêncio após 2015 era a nota final perfeita.

POIS BEM, QUEM É ANIKA NILLES?

Baterista, compositora e produtora alemã, Anika nascida em 1983 na cidade de Aschaffenburg (no estado da Baviera) construiu uma carreira musical pouco usual. Aos 16 anos, ela já sonhava em tocar bateria, mas seguiu o conselho dos pais para ter uma profissão “séria” primeiro (o primeiro baterista que nunca ouviu isso que atire a primeira baqueta). Ela se formou em serviço social e trabalhou como educadora infantil por anos, sentindo muitas vezes que havia “perdido o barco” para se tornar uma profissional de elite. Foi apenas mais tarde, através de uma dedicação feroz e estudos intensivos com mentores como Claus Hessler – (claushessler.com), que ela redefiniu sua carreira.

É difícil acreditar que sua primeira audição para uma escola vocacional de música foi um fracasso retumbante. Na época, ela admitiu que sequer conhecia o vocabulário básico dos bateristas, termos como “buzz roll” ou “paradiddle” não faziam parte do seu dicionário. Foi um choque de realidade brutal: a paixão estava lá, mas a base teórica, não.

Após o preparo intensivo com Hessler, ela foi aceita em uma academia especializada em música pop (a renomada Popakademie na Alemanha), um ambiente que mudaria sua vida ao inseri-la em uma rede de contatos profissionais. Lá, no entanto, cercada por músicos de 19 ou 20 anos que pareciam ter tocado a vida toda, ela enfrentou a Síndrome do Impostor e chegou a pensar em desistir.

“Eu me sentia velha e péssima. Chegou ao ponto de eu não conseguir mais tocar. Foi terrível porque eu amava tocar bateria, e esse era sempre o meu refúgio nos dias ruins.”

A VIRADA DE ANIKA

Mas a persistência transformou a insegurança em um diferencial estratégico. Anika percebeu que sua experiência anterior não fora tempo perdido; pelo contrário, sua vivência no serviço social lhe conferiu uma maturidade e habilidades interpessoais que faltavam aos seus colegas mais jovens, levando-a a formular a teoria de que o sucesso na indústria é “uma coisa 50-50”: metade habilidade musical, metade competência social.
Canalizando essa nova mentalidade para seus exames finais na universidade, ela compôs e gravou faixas originais complexas, como “Wild Boy”, “Alter Ego” e “Queenz”. O que era para ser apenas um requisito acadêmico tornou-se um fenômeno viral na internet, catapultando-a de uma estudante ansiosa para os palcos mundiais, culminando em turnês com lendas como Jeff Beck e na liderança de sua própria banda Nevell.

As subdivisões de Anika Nilles

Analisando as buscas de nossos fãs no site do Portal Rush Brasil, uma delas chamou nossa atenção em especial: “Anika Nilles Subdivision“. Inicialmente pensamos que poderiam ser buscas a respeito da nova baterista do Rush tocando a clássica primeira música do álbum Signals: Subdivisions… mas não, ou provavelmente não.

Pelas nossas pesquisas, descobrimos que Nilles é uma exímia especialista em “subdivisões” na música sob a óptica do(a) baterista.
Em entrevista concedida pela Tv Braba para Fabiano Paz, ela é perguntada sobre os estudos dessa técnica pouco usual. Aqui estamos entrando na seara dos bateristas, e se você achar isso tudo muito confuso, pode pular essa parte.

Aqui está a tradução do relato da Anika Nilles do trecho acima:

“Tive uma jam session e o baixista me perguntou se eu conseguiria fazer um groove em cinco. Ele não se referia a um compasso composto (5/4), mas sim a subdivisões de cinco notas — ou seja, grooves em quintinas. Ele começou uma linha de baixo e eu tentei acompanhá-lo, mas por algum motivo não funcionou muito bem; eu sempre acabava caindo em sextinas ou algo do tipo.
Fiquei muito curiosa com aquilo. Aquilo realmente chamou minha atenção para mergulhar mais fundo no assunto e entender o que estava acontecendo. A partir daquela jam, eu tinha quase um ano até terminar meu programa de estudos na universidade, então pensei: ‘Esse é um ótimo objetivo, vamos resolver isso’.
Minha meta era tocar uma música em quintinas. Eu escreveria a música e faria os grooves funcionarem. Achei que era um bom objetivo para um ano: desenvolver ideias nessa direção. Foi assim que comecei. Eu mergulhei de cabeça nessas coisas de quintinas e, naquela época — isso já faz 15 anos — você não encontrava nada sobre o assunto no YouTube, Instagram ou em qualquer outro lugar.

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